Cotidiano | 15/05/2026 | Atualizado em: 15/05/26 ás 11:27

Câmara aprova novo marco do transporte público e abre caminho para tarifas menores

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Câmara aprova novo marco do transporte público e abre caminho para tarifas menores

foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3278/21, que cria um novo marco legal para o transporte público coletivo urbano no país. A proposta, originalmente apresentada no Senado, segue agora para sanção presidencial e prevê mudanças no financiamento do sistema, possibilidade de subsídios para reduzir tarifas e novas regras para estados e municípios.

O texto foi aprovado com parecer favorável do relator, deputado José Priante (MDB-PA), que defendeu a criação de uma rede integrada e intermodal de transporte público, com maior participação do poder público na organização e fiscalização dos serviços.

O que muda para quem usa ônibus e transporte coletivo

A principal mudança prevista no projeto é a autorização para uso de recursos da Cide Combustíveis no pagamento de subsídios das tarifas do transporte público. Na prática, isso cria um mecanismo para ajudar municípios e estados a reduzirem ou segurarem aumentos nas passagens.

O projeto também determina que gratuidades (como as destinadas a idosos e estudantes) não deverão mais pesar diretamente sobre a tarifa paga pelos demais passageiros. Para isso, União, estados, Distrito Federal e municípios terão prazo de cinco anos para adaptar suas legislações.

Segundo o texto, os recursos usados para custear essas gratuidades precisarão vir de subsídios públicos previstos no orçamento.

Outro ponto importante é que o projeto tenta reduzir a dependência exclusiva da passagem para financiar o sistema. A proposta permite que receitas de publicidade, exploração comercial de terminais, estacionamentos, créditos de carbono e outras fontes também sejam usadas para manter o transporte público funcionando.

Participação dos municípios será decisiva

Apesar de criar novas possibilidades de financiamento, o projeto deixa claro que boa parte da execução dependerá das prefeituras e governos estaduais.

Os municípios continuarão responsáveis por:

  • definir a política tarifária;
  • fiscalizar os serviços;
  • promover melhorias na qualidade do transporte;
  • realizar reajustes e revisões contratuais;
  • organizar o sistema local.

Além disso, cidades que criarem programas de modicidade tarifária, mecanismos para reduzir ou controlar o preço das passagens , poderão ter prioridade no acesso aos recursos federais da Cide Combustíveis.

O projeto também permite que municípios criem entidades reguladoras com autonomia administrativa, financeira e decisória para fiscalizar os serviços de transporte coletivo.

Foro: Pixabay

Integração entre linhas e modais

Outro objetivo da proposta é estimular uma rede integrada de transporte público.

Segundo o relator José Priante, a integração física, operacional e tarifária poderá ajudar a reduzir ineficiências, sobreposição de linhas e perda de atratividade do transporte coletivo.

O texto também permite que estados e municípios atuem em conjunto na organização de sistemas metropolitanos e intermunicipais por meio de consórcios e convênios.

Empresas terão metas e regras mais rígidas

O novo marco prevê licitação obrigatória para exploração do serviço de transporte coletivo e proíbe modelos considerados precários de contratação indireta.

A remuneração das empresas também poderá ser vinculada ao cumprimento de metas de qualidade e desempenho.

Pelo texto, operadores só poderão ampliar ganhos financeiros com redução de custos se mantiverem os padrões exigidos nos contratos.

Isenção de pedágio e combate ao transporte ilegal

A proposta ainda prevê isenção de pedágio para ônibus do transporte coletivo urbano em rodovias de todos os entes federados.

Já no combate ao transporte clandestino, o projeto autoriza multas de até R$ 15 mil, recolhimento de veículos e até perda do automóvel em caso de reincidência dentro de um ano.

Próximo passo do projeto

Após aprovação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 3278/21 será enviado para sanção presidencial. Somente depois da sanção as novas regras poderão começar a valer.

Mesmo assim, várias medidas dependerão de regulamentação posterior e da adesão de estados e municípios para serem aplicadas na prática.

Como isso impacta sua vida?

Se o projeto for sancionado e aplicado conforme as regras previstas, municípios poderão ter mais instrumentos para financiar o transporte público sem depender apenas do valor pago pelo passageiro.

Na prática, isso pode ajudar cidades a buscar tarifas mais acessíveis, integração entre linhas e melhoria na qualidade do serviço. Porém, o próprio texto deixa claro que os resultados dependerão da atuação das prefeituras, da criação de programas locais e da liberação de recursos públicos previstos no novo marco. As informações são da Agência Câmara.

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Marcio Martins

Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público.

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