Max Schubert: conheça a história do primeiro administrador de Jaraguá do Sul
Estradas, colonização, disputas territoriais e os primeiros passos administrativos de Jaraguá do Sul. A trajetória de Max Schubert ajuda a entender como a cidade começou a se organizar ainda no século 19.
Jaraguá do Sul em 1898 Foto: Reprodução Grupo Antigamente Jaraguá do Sul
Resumo completo
- Max Schubert nasceu na Alemanha em 1867 e chegou ao Brasil em 1889
- Foi o primeiro intendente do Itapocu, antigo território de Jaraguá do Sul
- Participou da construção da estrada entre Jaraguá do Sul e Corupá
- Atuou na ocupação e organização territorial da região
- Desenvolveu atividades comerciais e industriais no antigo Itapocu
- O nome dele segue presente na Escola Max Schubert, em Três Rios do Norte
- Está sepultado no histórico Cemitério Brüstlein, tombado pelo patrimônio municipal
- Registros históricos preservam homenagens feitas a Schubert desde 1949
- A trajetória dele ajuda a entender as origens administrativas de Jaraguá do Sul
Em um túmulo bordô já desgastado pelo tempo, no pitoresco cemitério que se eleva sobre a rua Roberto Ziemann (bairro Cziernewicz), descansam os restos mortais de um homem que ajudou a construir parte da história de Jaraguá do Sul: o alemão Max Schubert.
Mais de um século após sua morte, sua memória resiste, eternizada na escola municipal que leva seu nome na Tifa Schubert, região de Três Rios do Norte, e nos poucos documentos que registram sua trajetória.
Nascido em setembro de 1867, na Saxônia, Alemanha, Max Schubert chegou ao Brasil em 1889, estabelecendo-se inicialmente em Joinville. Depois do casamento com Paulina Hannemann, mudou-se para a região do Itapocu (um dos antigos nomes de Jaraguá do Sul), atraído pelas condições favoráveis de terra e clima.

Época era de conflito territorial
Naquele período, a região ainda passava pelos primeiros processos de ocupação e organização territorial. Jaraguá do Sul sequer havia conquistado sua emancipação política – que só aconteceria 45 anos mais tarde, em 1934 – e enfrentava disputas administrativas envolvendo localidades ligadas a Joinville e Paraty, atual Araquari.
Schubert participou ativamente desse processo de desenvolvimento. Ele atuou na construção da estrada Itapocú–Hansa (Jaraguá do Sul-Corupá) e ajudou na organização da ocupação regional. Na área onde requereu seu lote, local que durante anos serviu como ponto de embarque de colonos rumo à Hansa-Humboldt, iniciou atividades comerciais e industriais. Entre elas estavam a produção de banha, açúcar, salsichas e aguardente.
Com o tempo, tornou-se uma figura conhecida na região. Exerceu a função de zelador da estrada e também atuou como Conselheiro Municipal.
Conteúdos em alta
Em 14 de novembro de 1896, foi nomeado intendente municipal, tornando-se o primeiro Intendente do Itapocu em meio aos conflitos territoriais que marcaram aquele período da história regional. De acordo com registros históricos, era pessoa muito estimada pelos moradores locais.
Max Schubert morreu em 20 de setembro de 1913, após enfrentar três anos de enfermidade. Seu sepultamento ocorreu no antigo Cemitério Brüstlein, um dos mais antigos de Jaraguá do Sul e hoje tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal.
A posição do jazigo, praticamente voltada para o movimento da cidade e para o caminho que leva à Tifa Schubert, parece sugerir que Schubert ainda acompanha o crescimento da cidade que ajudou a configurar.
Registros da época preservaram a homenagem
Registros históricos da época ajudam a reconstruir um dos momentos em que o nome de Max Schubert voltou ao centro da memória local. Os documentos relatam a inauguração da então Escola Rural Max Schubert, em 1949, durante visita do então governador José Boabaid a Jaraguá do Sul, já emancipada naquele período.
Os jornais descrevem um ambiente festivo em Três Rios do Norte, com decoração floral, presença de autoridades e participação da comunidade local. Entre os nomes citados aparecem o deputado Protógenes Vieira, o dr. Armando Simone Pereira, Curt Weller e a professora Hermínia Veiga, responsável pela escola na época, além de autoridades municipais.

Os registros também mencionam representantes da Sociedade dos Atiradores e da Sociedade Escolar de Três Rios do Norte. As imagens preservadas ajudam a revelar um período em que Jaraguá do Sul ainda consolidava sua identidade administrativa e territorial, poucos anos depois da Proclamação da República.
Embora a cerimônia registrada em 1949 tenha marcado oficialmente a inauguração da Escola Rural Max Schubert, a estrutura educacional da comunidade já existia anteriormente, em versões mais simples e sob outras denominações.
Como isso impacta sua vida?
Em uma cidade que cresce rapidamente e muda de paisagem o tempo inteiro, histórias como a de Max Schubert ajudam a lembrar quem participou da construção de Jaraguá do Sul muito antes das avenidas movimentadas e dos grandes polos industriais. Entre registros históricos, memórias preservadas em Três Rios do Norte e um jazigo silencioso no Cemitério Brüstlein, parte da origem da cidade continua presente no cotidiano de quem passa pela Rua Roberto Ziemann sem imaginar a história que existe ali.
Marcio Martins
Profissional da comunicação desde 1992, com experiência nos principais meios de Santa Catarina e no poder público.