Colunistas | 19/06/2026 | Atualizado em: 19/06/26 ás 15:17

COLUNISTAS: Asas de Vidro

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COLUNISTAS: Asas de Vidro

Foto: Magnific

Por Vera de Tofol

Os projetos arquitetônicos primam pelo conceito estético aliado à funcionalidade. Com a escassez de materiais e as inúmeras opções disponíveis no mercado, impulsionadas pela globalização, destaca-se uma grande diversidade de elementos construtivos, entre eles o vidro. Na tentativa de trazer equilíbrio, beleza e leveza a determinados ambientes e espaços públicos ou privados, esse material tornou-se amplamente utilizado.

Entretanto, o que frequentemente vislumbramos são edificações, cidades e até pessoas como se estivessem inseridas em um enorme aquário. É importante ressaltar que há inúmeras vantagens na utilização do vidro: viabilidade, segurança, baixa necessidade de manutenção, luminosidade, variedade de cores, versatilidade na composição com outros elementos construtivos, durabilidade e harmonia estética com os projetos. Por essas e tantas outras qualidades, o vidro participa de algumas das mais belas realizações arquitetônicas do mundo.

Contudo, existe uma triste e alarmante estatística relacionada ao seu uso. A mortalidade de pássaros, como sabiás, joões-de-barro, corujas, beija-flores e andorinhas, aumenta a cada ano em razão das colisões contra superfícies envidraçadas. Estudos apontam que milhões de aves morrem anualmente em todo o mundo por confundirem o reflexo do céu, das nuvens, das árvores e da vegetação com a continuidade do ambiente natural.

Esses animais não conseguem diferenciar superfícies transparentes ou altamente refletivas. Além disso, a iluminação artificial contribui para sua desorientação. Milhares morrem instantaneamente; outras tantas sofrem traumatismos, principalmente na cabeça, hemorragias e agonizam até a morte. Eis um novo predador dos pássaros: silencioso, discreto e implacável.

Esse problema soma-se a outros fatores responsáveis pelo declínio das populações de aves, como a poluição, a destruição de habitats, as usinas eólicas, os gatos domésticos, os agrotóxicos, os pesticidas, as redes de transmissão de energia e a expansão urbana.

No meio ambiente, as aves evoluíram sem a presença de barreiras invisíveis e, portanto, não desenvolveram mecanismos para reconhecê-las. Paradoxalmente, a modernidade e o progresso material da humanidade, que em muitos aspectos representam avanços significativos, acabam contribuindo para o declínio e até para a extinção de determinadas espécies.

Assim, se o vidro faz toda a diferença em sua vida, utilize-o. Contudo, procure soluções que minimizem seu impacto ambiental, priorizando a preservação dessa vida tão frágil e indispensável ao equilíbrio ecológico. Caso contrário, talvez sejamos nós as vítimas da vingança do passaredo, como retratado no filme Os Pássaros, clássico dirigido por Alfred Hitchcock — se eles sobreviverem.

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