A igreja mais antiga de Jaraguá do Sul preserva mais de um século de fé e da história dos imigrantes húngaros
Construída pela comunidade húngara no bairro Garibaldi, a Igreja Santo Estêvão é um dos patrimônios históricos mais importantes do município e segue preservando tradições iniciadas pelos primeiros colonizadores.
Igreja Santo Estêvão | Foto: JDV
Em meio à tranquilidade do Garibaldi está um dos patrimônios mais importantes de Jaraguá do Sul. Erguida pela comunidade húngara no início do século passado, a Igreja Santo Estêvão é considerada a mais antiga do município e permanece como símbolo da fé, da união e da identidade cultural dos imigrantes que ajudaram a construir a cidade.
Mais do que um templo religioso, a igreja representa a história de dezenas de famílias que atravessaram o oceano em busca de uma nova vida e encontraram na religião um ponto de encontro para fortalecer a comunidade. Até hoje, o local preserva características arquitetônicas originais e continua sendo referência para descendentes de húngaros e visitantes interessados na história de Jaraguá do Sul.
Uma história que começou antes da igreja
A presença húngara em Jaraguá do Sul teve início por volta de 1891. Fugindo das dificuldades políticas e econômicas da Europa, os imigrantes enfrentaram uma viagem de mais de dois meses entre carroças, trens e navios até chegar ao Brasil. Depois de desembarcarem em Blumenau, ainda seguiram por terra e abriram caminhos em meio à mata até se estabelecerem na região de Garibaldi, Jaraguá Alto, Jaraguá 84 e Jaraguá 99.
A fé sempre esteve no centro dessa comunidade. Antes mesmo da construção da Igreja Santo Estêvão, os imigrantes ergueram, em 1894, uma capela-escola que servia tanto para as celebrações religiosas quanto para o ensino das crianças durante a semana. O espaço também era utilizado para reuniões e decisões importantes da comunidade.

A construção da Igreja Santo Estêvão
Foi somente em 1922 que começou a construção da igreja que se tornaria um dos maiores símbolos da imigração húngara em Santa Catarina. A obra foi realizada com grande participação da comunidade, que promovia festas conhecidas como Kyritag – o Dia da Igreja – para arrecadar recursos destinados à construção do templo.
A arquitetura preserva elementos típicos das tradições húngaras. As janelas em arcos ogivais, o trabalho artesanal em estuque no forro e a imagem de Santo Estêvão sobre o altar principal remetem diretamente à cultura do país europeu. O santo, primeiro rei católico da Hungria, foi escolhido como padroeiro por representar valores como fé, união e cuidado com os mais necessitados.
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Um achado histórico durante a restauração
Durante as obras de restauração realizadas em 1998, um detalhe chamou a atenção dos trabalhadores. Dentro de uma das colunas da igreja foram encontrados documentos escritos em latim, escondidos desde a construção do templo.
Os registros traziam a data da colocação da pedra fundamental, em setembro de 1922, além de uma relação com cerca de 70 imigrantes húngaros e seus descendentes, considerados os fundadores da igreja. O documento também continha uma homenagem a Santo Estêvão, reforçando o significado religioso e histórico da construção.

Um patrimônio vivo de Jaraguá do Sul
Concluída em 1937, a Igreja Santo Estêvão continua sendo palco de missas, festas religiosas, casamentos e celebrações da comunidade. Ao longo das décadas, recebeu visitas de autoridades da Hungria e tornou-se uma referência para pesquisadores, turistas e descendentes dos primeiros colonizadores.
Em 2024, a história da imigração húngara ganhou um novo capítulo com a inauguração da Praça Húngara (Magyar tér), ao lado da igreja. O espaço reúne monumentos, memorial das famílias pioneiras, anfiteatro e elementos inspirados na cultura magiar, fortalecendo ainda mais o conjunto histórico formado pelo templo e pela praça.
Mais de um século após o início de sua construção, a Igreja Santo Estêvão permanece como um dos maiores símbolos da herança húngara em Jaraguá do Sul. Além de preservar a religiosidade dos primeiros imigrantes, o templo mantém viva uma parte fundamental da história que ajudou a formar a identidade cultural do município.

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