Cotidiano | 13/07/2026 | Atualizado em: 21/07/26 ás 14:52

O que ligava o fundador de Jaraguá do Sul a Benjamin Constant, o líder da Proclamação da República?

Documentos reunidos pelo historiador Rafael José Nogueira mostram que a ligação entre Emílio Carlos Jourdan e o líder republicano ia além de uma assinatura de casamento.

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O que ligava o fundador de Jaraguá do Sul a Benjamin Constant, o líder da Proclamação da República?

Benjamin Constant (à esquerda) e Emílio Carlos Jourdan, fundador de Jaraguá do Sul. Montagem da equipe do JDV, com auxílio de inteligência artificial, a partir de fotos originais dos dois

Resumo completo

Casamento: outubro de 1874, Matriz do Santíssimo Sacramento, Rio de Janeiro

Noivo: Emílio Carlos Jourdan, futuro fundador de Jaraguá do Sul

Testemunha: Benjamin Constant Botelho de Magalhães, futuro líder da Proclamação da República

Vínculo familiar: uma filha de Benjamin Constant foi madrinha de batismo de um dos filhos de Jourdan

Origem provável da amizade: a Guerra do Paraguai, onde ambos serviram em missões de engenharia

Em outubro de 1874, num casamento celebrado na Matriz do Santíssimo Sacramento, no centro do Rio de Janeiro, um dos nomes que assinaram como testemunha entraria, quinze anos depois, para todos os livros de história do Brasil: Benjamin Constant Botelho de Magalhães, o militar e professor que seria peça central na Proclamação da República, em 1889. O noivo daquela cerimônia era Emílio Carlos Jourdan, o homem que dois anos depois fundaria Jaraguá do Sul.

A presença de um nome tão conhecido no casamento do fundador da cidade não era apenas coincidência. Uma pesquisa do historiador Rafael José Nogueira explica que a ligação entre Jourdan e Benjamin Constant tinha raízes mais antigas e se prolongaria por anos, num laço que uniu as duas famílias.

Esta imagem é parte do Fundo Agência Nacional Série FOT Subsérie PPU

>> Esta reportagem integra uma série especial do JDV que resgata histórias, personagens e curiosidades de Jaraguá do Sul, em homenagem aos 150 anos de fundação da cidade.

Quem foi Benjamin Constant

Antes de dar nome a ruas, bairros e escolas pelo Brasil, Benjamin Constant Botelho de Magalhães foi um homem de carne e osso, militar, engenheiro e professor de matemática. Nascido no Rio de Janeiro em 1836, formou-se na Escola Militar e tornou-se um dos principais divulgadores do positivismo no país, a corrente de pensamento que influenciaria boa parte da geração que derrubou a Monarquia.

Sua atuação foi decisiva na articulação que levou à Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Considerado um dos fundadores do regime republicano, é dele, inclusive, a paternidade simbólica de símbolos e instituições da nova ordem. O lema “Ordem e Progresso”, de inspiração positivista, na bandeira nacional, é herança direta do grupo que ele liderava. Morreu em 1891, poucos anos depois de ver a República que ajudou a fundar.

Dois retratos de época de Emílio Carlos Jourdan, um fardado e outro jovem ao lado da esposa Helena Caffier
Emílio Carlos Jourdan em dois momentos: à esquerda, em uniforme militar; à direita, mais jovem, ao lado da esposa, a francesa Helena Caffier.

A testemunha do casamento

O ponto de partida documental da ligação é o assento de casamento de Jourdan, lavrado em 1874. O noivo, belga de Namur naturalizado brasileiro, casava-se com a francesa Helena Agostinha Elisabeth Julia Caffier. Entre as testemunhas que assinam o registro está o nome de Benjamin Constant.

Para o historiador Rafael José Nogueira, não há dúvida de que se trata do mesmo personagem histórico. A presença dele ali significa que Jourdan, antes de se tornar o colonizador que fundaria uma cidade no interior de Santa Catarina, circulava por um meio social que incluía um dos futuros protagonistas da história política do país.

Ilustração mostra um acampamento de militares brasileiros durante a Guerra do Paraguai

Uma amizade que provavelmente nasceu na guerra

Mas como um colonizador e engenheiro belga foi parar tão perto de uma das figuras centrais da República? A resposta, segundo Nogueira, está provavelmente num campo de batalha. Tanto Jourdan quanto Benjamin Constant serviram na Guerra do Paraguai, o maior conflito armado da história da América do Sul, e ambos atuaram em missões ligadas à engenharia militar.

Foi nesse ambiente, o dos oficiais e praças que construíam pontes, estradas e fortificações para a passagem das tropas, que os dois provavelmente se conheceram. A formação técnica em comum, a engenharia, teria aproximado o belga naturalizado e o brasileiro que viria a liderar a queda do Império.

Anos depois do casamento, quando Jourdan e Helena tiveram o sétimo filho, Álvaro, a madrinha escolhida para batizá-lo foi Adozinda da Costa Botelho de Magalhães, filha de Benjamin Constant.

O compadrio, o laço criado entre as famílias pelo batismo de uma criança, era um vínculo social sério no século XIX, levado a sério como parentesco. Convidar a filha de Benjamin Constant para madrinha, e vê-la aceitar, significa que as duas famílias mantinham proximidade real e duradoura, não um conhecimento casual. É esse detalhe, localizado por Nogueira, que transforma a assinatura de 1874 numa relação de anos.

Como isso impacta sua vida?

Para quem vive em Jaraguá do Sul, a descoberta acrescenta uma camada inesperada à origem da cidade. O homem que fundou o município não era um colonizador isolado no interior catarinense: tinha trânsito na corte do Rio de Janeiro e relação de compadrio com a família de um dos personagens centrais da história do Brasil. Saber que o fundador da cidade esteve, literalmente, ao lado de quem proclamou a República, aproxima Jaraguá do Sul de um capítulo nacional que costuma parecer distante dos livros escolares.

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Max Pires

Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.

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