Colunistas | 15/07/2026 | Atualizado em: 15/07/26 ás 12:28

Por que falar da vida alheia é prazeroso? Estudo ajuda a entender o hábito da fofoca

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Por que falar da vida alheia é prazeroso? Estudo ajuda a entender o hábito da fofoca

Foto: Freepik

Li sobre um estudo recente da Universidade de Oxford, no qual os especialistas concluíram que as pessoas passam DOIS TERÇOS do tempo falando sobre aqueles que não estão presentes. É isso mesmo, a cada 30 minutos de conversa, ficamos 20 deles fofocando, ou melhor dizendo – de uma forma mais requintada – fazendo “comentários sociais”.

Faz parte da natureza humana falar sobre quem não está perto e este vício pode até ocorrer de forma mais ácida, mas os acadêmicos observaram que boa parte dessas conversas tem tom imparcial, sem julgamentos.

O historiador Yuval Noah Harari, no seu livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, afirma que a fofoca colaborou para que os pioneiros Homo Sapiens tivessem grupos maiores e mais estáveis, ou seja, a fofoca colaborou na evolução da espécie.

Segundo o estudo, do ponto de vista cerebral, ouvir ou fazer uma fofoca ativa um mecanismo de recompensa, relacionado ao prazer e por isso tem característica viciante.

Aqui na cidade, que não é tão pequena assim, temos a impressão de que todo mundo se conhece, principalmente dentro das bolhas sociais. Tenho um amigo que trabalha há quase trinta anos em Jaraguá do Sul, mas que reside a 60 km daqui. Um dos motivos que ele me apontou sobre o esforço diário de ir e vir, foi manter a sua privacidade.

Outro dia, eu e minha cônjuge tomávamos um café na padaria e observávamos um casal, com uma mão na xícara e as outras dadas. A guria era a “ex” de um conhecido nosso e o sujeito, o “ex” de uma amiga. Com certeza alguém de outra mesa nos observava e comentava alguma coisa sobre nós.

Às vezes as pessoas confundem os papéis do colunista social com o do cronista. O que salva a pele deste último da fama de fofoqueiro é o cuidado em ocultar nomes e disfarçar acontecimentos, lugares e deixar tudo subentendido.

Nossa melhor cronista da atualidade, Tati Bernardi, contou em um podcast, que tinha um dentista muito fofoqueiro e que, na tentativa de disfarçar, mudou a profissão para fisioterapeuta, e então o seu fisio, que era uma pessoa educada e discreta leu e ficou ofendido.

O estudo da Universidade de Oxford também apontou que a exposição nas redes sociais potencializou a proliferação dos comentários e julgamentos sobre a vida alheia, até aí nenhuma novidade. Antes da era digital, a minha avó, Doralice, me contou que o pai dela, o Manuel, no século XX, anotava as datas das festas de casamento, para checar adiante se as noivas não teriam casado grávidas e assim a lista para compartilhar os “comentários sociais” estava sempre bem cheia.

Parafraseando Oscar Wilde (1854-1900): Há apenas uma coisa no mundo pior do que falarem de nós, e é não falarem de nós.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de Papo no cafezinho, Indesmentíveis, Arrumadinhas e Mulheres casadas têm cheiro de pólvora. Quer contatá-lo? Escreva para: marcelolamasbr@gmail.com.

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Marcelo Lamas

Cronista, autor de 4 livros. Sou gaúcho radicado em Jaraguá, há 3 décadas, porém, estou mais para jaraguaense, nascido no RS. Frio, doces, cafés, gatos, livros, futebol e Coca-Cola são as minhas preferências.

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